Passagem ao ato e acting out
o analista intervém na direção de fazer com que o sujeito possa historicizar a angústia aguda da qual padece, colocando palavras no curto-circuito que vai da angústia diretamente ao ato

Chama a atenção o grande número de pessoas que hoje sofrem com manifestações ligadas à angústia — como crises de ansiedade e síndrome do pânico — além de diferentes formas de atuação que parecem surgir quando o mal-estar não consegue encontrar um lugar para se expressar. É o caso, por exemplo, de jovens que recorrem ao corte no próprio corpo como tentativa de aliviar um sofrimento intenso, assim como das diversas compulsões: comida, drogas, jogos ou sexo. Em situações mais extremas, aparecem também as tentativas de suicídio. De fato, muitas das pessoas que procuram atendimento emergencial em ambulatório público de saúde mental relatam já ter passado por uma ou mais tentativas, sendo a ingestão excessiva de medicamentos um dos meios mais frequentes.
O que se percebe é que, em muitos casos, o principal recurso para lidar com a angústia acaba sendo o ato, e não a elaboração psíquica. Se vivemos em um mundo mediado pela linguagem — no qual nossa existência se constitui pela palavra —, o que faz com que, em certos momentos, essa mediação não seja suficiente, abrindo espaço para que a ação venha antes da palavra?¹


